Caio Fernando Abreu
Eu, caçador de mim.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Religião
Em uma tarde, há um tempo atrás, estava na casa de uma amiga
com outras amigas.
Conversávamos besteiras quando uma delas alegou, apressada,
que havia esquecido de fazer um trabalho sobre sua catequese. Como o trabalho
estava com si, ela o pegou e começou a fazer.
Fui ajudá-la, folheando o livro que ela deveria ler, lendo eu mesma. Então, em meio a leitura, exclamei que tinha gostado dele por sua praticidade em explicar os trechos da bíblia que muitos não entendiam, como se um pastor estivesse pregando através daquele livro, e, de repente, uma amiga minha arregalou os olhos:
Fui ajudá-la, folheando o livro que ela deveria ler, lendo eu mesma. Então, em meio a leitura, exclamei que tinha gostado dele por sua praticidade em explicar os trechos da bíblia que muitos não entendiam, como se um pastor estivesse pregando através daquele livro, e, de repente, uma amiga minha arregalou os olhos:
- Você é evangélica?
- Sim. Por que?
- Não parece.
- Por que não parece? - Perguntei, já sabendo o que estava por vir.
- Porque evangélicos são chatos. Não bebem, não saem, não
namoram. E você é completamente diferente. Digo, não que você faça essas coisas. Mas
você é divertida.
Suspirei. Não queria mostrar o quanto ficava irritada e de certa forma magoada quando ouvia aquele tipo de coisa, então simplesmente disse:
- Você só tem essa visão porque não costuma frequentar esse
tipo de lugar.
Religião. É difícil falar de um assunto tão complexo e delicado,
principalmente nos dias de hoje. Então, por
este motivo, devo ressaltar que não escreverei sobre este assunto com o
objetivo de influenciar ou criticar alguém que não acredite ou siga outras
religiões, mas sim pra expor o meu ponto de vista sobre algo que eu creio, ainda
mais algo que é tão importante pra mim.
Olhe para a beleza dos céus. Olhe para imensidão do mar.
Olhe para a natureza e enxergue a perfeição que existe ali. As plantas, as
árvores, as florestas, os lagos. Olhe para os animais, e como se comportam de
maneira inteligente. Como se reproduzem e são necessários para nós, para eles
mesmos, para manter o equilíbrio entre as coisas que existem. Olhe para o
milagre da vida. Para a maneira inexplicável e fascinante que um ser se
forma dentro de nós, o comportamento das células, o surgimento de pés, mãos,
braços. Coração. Olhe para a nossa capacidade de pensar, de sentir, pressentir,
criar, sonhar, viver.
Você ainda acha que não há um Deus por trás de tudo isso?
domingo, 3 de julho de 2011
Alma gêmea
Se você quase sempre se apaixona por pessoas que te provocam, que esperam que você seja mesmo melhor do que é, que te beliscam o ego, que te torcem as certezas, que lançam fogo no lago calmo e azul da sua mente. Se você transa melhor com aquela pessoa que te irrita. Se você conversa melhor com aquela pessoa que pode discordar, se você vê mais beleza nas faíscas, nas fagulhas. Se você tem você como grande prioridade, ainda que estar apaixonado seja sua grande prioridade. Se você até tenta resolver o problema mas, por causa dos seus problemas, acaba complicando um pouco as coisas. Se você ri bastante mas também é um pouco deprê. E gosta de gente engraçada que também é um pouco deprê. Porque a graça real vem da tragédia que é estar vivo. Se você tem inveja de quem ama, apenas porque ama tanto que às vezes gostaria de viver dentro da pessoa. Ou só porque a inveja e o amor são coisas que nos acometem e não tem muito o que fazer. Se você tenta caminhar na corda bamba, mas vive esfolado, machucado e tonto, de tanto cair. Se você às vezes manipula e intimida e não deixa segura a pessoa amada, porque você é estragado de cabeça e de coração. Mas também abraça, pede desculpas e vomita tanta sinceridade que consegue ter charme e pureza nas maldades. Enfim, se você é errado e não serve pra alma gêmea de ninguém... Talvez eu seja sua alma gêmea.
Tati Bernardi
quarta-feira, 11 de maio de 2011
O que você nunca vai saber
Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.
Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.
Verônica H. (http://h-veronica.blogspot.com/)
terça-feira, 3 de maio de 2011
Senhorita sem sal
Ela não grita. Nem chora em público. Mal se mexe.
Sucumbe em si todos os chiliques e engole sapos e verdades, e palavras que deveriam sair, mas ficam na boca da garganta, estocadas. Você pergunta o que quer comer, escuta um tanto faz. Pede uma cerveja, ela mal beberica, apenas para não fazer feio, e sim, fazer sala: não ficar feio, você sabe. Mal fala, tenta não se mover, abaixa o olhar, porque penetrar na sua vista é ousadia demais, e ela, mulherzinha de bom senso, moça de respeito, que isso - não pode. Estar bonitinha, e com uma roupa nada vulgar, tudo no lugar, já é algo e tanto pra tal donzela. Com ela, não existe dança até o chão, nem riso incontrolável, nem vontades urgentes que necessitam ser supridas. Faz questão de olhar com desdém a tal felicidade exprimida aos lados, contemporizada no ar, nas vozes e rostos alheios, em torno. Porque ela, você sabe, ela é comedida. Se ela curte uma selvageria, não conta. Os poucos dias insanos, ínfimas memórias pra contar para netos e bisnetos. Se diz, talvez, tímida. Na dela, pacata. Sempre a mesma feição inexpressiva, quase botox, de tão paralizada. Sem caras e bocas, gargalhadas incontroláveis, cara amarrada, quando necessário. Assiste a vida passar, pela janela de espectadora dos desejos do mundo sendo todos cumpridos (enquanto os dela, dentro de alguma caixinha qualquer, no armário). Se tem um lado devasso, o mundo ainda o desconhece - isso, se existir, realmente. Quase uma robô, pré programada para risinho mecânico na hora em que você dá aquela tirada irônica, sorriso quando não ter o que falar; quietude, para não parecer burra. Passar por louca? Capaz, não. Que vergonha. Aliás, vergonha ela não passa. Nem alegria extrema, de tanto que se tranca em continuar sendo tão blasé que quase passa despercebida; apagada. Se você curte, ela passa a adorar. Se detesta, lá vai ela dizer que não é muito fã também (porém, nenhuma das opiniões expressas com vigor e luta, com debate e vontade: tudo naquele ritmo de mais ou menos em que a insossa vive, sempre na linha tênue e nunca em extremo algum).
Não é o que nos mandam esses mil manuais de conquista barateados pela sociedade? Deixa que o cara liga. Esconda uma parte da sua inteligência. Evite assuntos picantes. Pareça inanimada, desinteressante, e com humor estável. Seja uma pessoa destemperada, para resumir. Quer que ele pense o que? Sua desvairada, é uma vagabunda, independente demais, muito espertinha: não dá. Díficil é se manter na corda bamba de que tanto falam, de se mostrar para logo em seguida ter que esconder a confusão que é ser mulher nesses tempos modernos, sem realmente compreender o que quer o time lá de Marte.
Eu, que nunca consegui fingir com maestria ser sempre tão Amélia ou certinha, a qual a sensatez me vem apenas em momentos oportunos desisti de me equilibrar nessa inconstância plural que é o mundo masculino e suas particularidades. Já venho com todo meu temperamento forte, as minhas mil palavras, tão prolixas, e meus conceitos, sempre ferrenhos; fortes. Quem gosta, saboreia muito mais do que apenas uma companhia vazia e sem nexo, é com gosto, quase sempre ardente ou mordaz, oportunamente, agridoce. Sem o aspecto pastoso e insípido de algo que não dê vontade de lambuzar o prato e repetir. Que cause sensação alguma, boa, péssima, relevante: surpreendente. Demais, nunca pra menos. Quem com o tempo souber tirar bom proveito dessa algazarra de temperos e índoles, qualidades e tons, é quem merece ter o menu em mãos, e o pedido, quem sabe, aceito. Porque viver com quem se permite e à vida se entrega, é sim, o que dá sentido e apetite pra que os dias não passem em branco, mas sim, se completem. Com sensualidade, e quedas, atitude e frases sem nexo, beijinhos na nuca - inesperados - fica fácil ter nas mãos pimenta, sal, limão e açúcar: quem gosta de intensas reações, entende melhor a magnitude mágica da vida, os fugazes momentos que necessitam ficar memorizados. Sem robô, e sim, com carne, osso, cabelo feito, perfume francês e um temperamento forte ao lado pra que a montanha-russa faça valer a pena o passeio de estar vivo sabe-se até quando.
Camila Paier (http://calmila.blogspot.com/)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A primeira vez
Você sempre me disse que sua maior mágoa, era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, o porque de eu dormir chorando, porque era impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo. Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado, e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto, mas senti uma coisa linda por dentro do peito.
Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.
Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.
Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”. Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios isso acontecia com você. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.
Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida, e que você é cheio dessas coisas. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você me deixou te olhar, mesmo você não gostando de mim.
E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.
Viva o presente
Hoje me peguei pensando em alguém que já foi tão próximo a mim que poderia me descrever de cor e salteado, e vise versa. Nossa relação era linda, mas hoje mal nos falamos. Ele está naquela tão sonhada fase de descobertas: a primeira vez, a primeira farra, o primeiro amor de verdade - aquele de apresentar pra mãe e tudo mais. Foi então que, ao pensar nisso, me peguei sentindo uma dorzinha no coração. (…) Eu queria fazer parte de tudo aquilo. Queria fazer parte dos seus dias, do seu futuro. Queria que ele compartilhasse a tristeza ou a alegria que sentisse. Queria estar lá para ajudá-lo naqueles momentos em que ele percebesse que realmente não é mais criança a ponto de poder fugir de suas responsabilidades, ou até mesmo naqueles momentos em que ele quisesse se livrar de tantas cobranças e sair escondido à uma balada ou praia qualquer. Eu queria fazer parte daqueles momentos dele que a gente não esquece. Queria fazer parte da sua vida, queria fazer a diferença na sua vida. Mas, como? Impossível. Existe tanta mágoa entre nós que, como eu já disse, mal nos falamos. Eu tinha que afogar essa minha vontade louca de fazer parte da vida de todos que já se foram, que estão indo, que estão aqui. Tinha que afogá-la para nunca mais deixar vir à tona, sentir isso não é saudável pra ninguém.
Uma coisa que custo a aceitar é o fato de que todos, em algum momento de nossas vidas, seja um amigo, um namorado inesquecível ou até mesmo os nossos pais… vão embora. Todos seguimos caminhos diferentes, destinos diferentes, vidas diferentes. Muitas vezes perdemos o contato. Mudamos de e-mail, de colégio, de cidade. Esquecemos uns e conhecemos outros. A vida não pára e é imprevisível. E isso? Era o que me enchia de medo no momento. Pensei no meu melhor amigo e na possibilidade de nos separarmos e senti medo. Pensei na minha melhor amiga e na possibilidade de nos separarmos e também senti medo. E a conclusão que tirei de tudo isso? Pensar nisso era uma bobagem.
Se você tem medo de perder um amigo, esteja com ele sempre, desde agora. Cultive essa amizade todos os dias. Se você tem medo dos dias em que não terá mais o seu namorado, o seu amor, aquele que você abraça pra fugir do mundo, mostre a ele o quanto você o ama hoje, amanhã e todos os dias que se passarem. Se você vive brigando com seus pais mas não imagina a sua vida sem eles, façam-os perceber a importância que eles possuem, não sempre, mas quando tiver oportunidade. Nosso futuro depende do que fizermos no nosso presente. Claro que perder pessoas é inevitável, claro que mudar de vida também. Mas enquanto você tiver em mente apenas viver o presente e esquecer um pouco do que virá no futuro… tudo estará bem.
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